É possível ser feliz nos tempos atuais?

Comportamento
13.mar.2018

Quando se trata de estudar melhor as características de nossa atual sociedade, deparamo-nos com alguns respeitáveis autores que muito tem se debruçado sobre esta temática. São incontáveis os livros, ensaios e teses acadêmicas que buscam entender o comportamento da sociedade contemporânea. Bauman, sociólogo polonês, afirma que, a partir de meados do século XX, nossa sociedade passou a ser constituída por indivíduos consumidores, ao invés  dos produtores de até então.

A atual geração de jovens não conheceu outra forma de vida, a não ser a de nossa sociedade de consumidores. Nela, emergem soberanos o imediatismo e o culto à novidade. É o que temos oportunidade de observar à nossa volta o tempo todo. Acompanhamos a chegada contínua, nas últimas décadas, de novos e múltiplos objetos de desejo. E ao mesmo tempo, nos assustamos com a rapidez com que se tornam antigos e desaparecem ou são facilmente substituídos

Vários estudiosos têm mostrado o quanto os reflexos dessa realidade estão instalados no nosso dia a dia. Nada é visto como estando aqui para sempre, tudo se torna cada vez mais transitório, com curto prazo de validade, volátil. Produtos e serviços tem seu tempo de vida reduzidos e até os empregos cada vez mais são descartáveis ou precários, sem vínculos.

As escolhas se tornaram particularmente difíceis pela ausência de garantias.  A própria pesquisa científica muda de ideia com alguma frequência e algo que hoje é dito como sendo bom para a saúde, amanhã poderá ser declarado um agente indutor de doenças. De maneira geral, os pontos de referência que hoje nos parecem confiáveis podem ser, num futuro próximo,  postos de lado como equivocados.

O que pensar a respeito de tantas e tão recentes transformações? Como aprender a lidar com tal contingente de incertezas, todas inerentes ao nosso tempo? Seremos capazes de superar esses novos medos e encontrar uma forma de sermos felizes em meio a tudo isso?

O que podemos dizer, sem medo de errar, é que, num mundo como o atual, é preciso aprender a acolher a vida pouco a pouco, tal como ela nos vem. Sabemos que cada fragmento poderá ser diferente dos anteriores, o que vai nos exigir novos conhecimentos e habilidades. Mas nada nos diz, de antemão, que esta seja uma desvantagem.

Na sociedade da transitoriedade, com tantas diferenças já descritas em relação ao passado recente, aquele dos valores bem definidos e estabilizados, a boa notícia parece ser justamente a possibilidade de evoluirmos, como nunca, em múltiplas direções, dentro da mesma existência.

Com nossa essência inabalada e inabalável, podemos, sim, sofrer muitas angústias com este mundo incerto. Mas provavelmente, nunca fomos tão aptos a encarar tantos e inéditos desafios.  E a satisfação de vencê-los, e com isso enriquecermo-nos como pessoas, é algo que vai perdurar em nós. Pois a nossa experiência nos pertence, nos recria, e o tempo não leva .

Artigos relacionados

16 jan

Um pouco mais de compaixão

Em tempos de tanta exposição à violência, seja  urbana, doméstica, coletiva ou individual, parece que muitas vezes tomamos uma atitude de indiferença diante de fatos que ocorrem muito próximos a nós. Andamos com medo de nos envolver e sobrar para nós. Justificativas não faltam por não tentar ajudar alguém, mas muitas vezes só não nos […]

  • 1772
Comportamento
3 nov

Inteligência Coletiva

A ideia segundo a qual o grupo torna todos mais geniais anda muito em voga no mundo corporativo. É o tão citado conceito de “inteligência coletiva”, que teria nascido, dizem, da observação das formigas e das abelhas que, como os humanos, apostam no trabalho em comum para sobreviver. Posteriormente, o conceito evoluiu a partir da […]

  • 2845
Comportamento
1 maio

O ataque como defesa

Especialistas do comportamento humano já nos disseram que, ao se sentirem ameaçadas, as pessoas se defendem de seu próprio jeito e que este seria um reflexo arcaico. Dentre tantas formas possíveis de se defender quando atacado, como entender quem se defende atacando? Seria razoável o ataque como defesa? O que se sabe é  que o […]

  • 2129
Comportamento