Quanto vale a empatia?

Comportamento
07.ago.2018

Benevolência, compaixão, altruísmo e empatia são hoje palavras que traduzem a preocupação com o outro e que passam cada vez mais a fazer parte de nosso vocabulário comum. Fico me perguntando se isso aconteceu por conta da difusão de conceitos da “psicologia positiva”, que estimula a gratidão, em vez da auto compaixão, ou da influência da propagação dos valores de religiões orientais. Venham de onde vierem, estas são palavras que, mesmo tendo significados próximos, não se sobrepõem. É preciso distinguir entre a benevolência, que consiste em lançar um olhar condescendente sobre os outros; a compaixão, que nos leva a experimentar pesar pelo sofrimento do outro e a querer ajudá-lo; e a empatia, que é a capacidade de compreender a maneira de pensar e de sentir do outro.

A valorização destes conceitos é sinal, afirmam estudiosos do assunto, de um sentimento que julgam ser hoje amplamente compartilhado. Para alguns pensadores, seria o medo de um mundo que se torna a cada dia mais imprevisível e brutal, que impulsionaria em nós a vontade de não sucumbir e reagir, tornando-nos mais “humanizados” em relação uns aos outros. Escutar, observar, avaliar são as condições básicas para o exercício da empatia, que é, ao mesmo tempo, fina e sutil. É através dela que as emoções e o pensamento do interlocutor são assimilados, por assim dizer. Trata-se de possuir uma escuta apurada e ser um observador cuidadoso: escutando verdadeiramente o outro aprimoramos nossa capacidade empática.

A empatia se dá quando alguém é capaz de “decodificar” as mensagens emocionais, sejam verbais ou não verbais, de seu interlocutor e de entender facilmente o que o outro sente. Mesmo que sejam pessoas completamente diferentes entre si, a compreensão do que se passa no mundo interior do outro ocorrerá. Até adotar uma maneira especial de falar, como parte de uma atitude que visa diminuir a diferença entre quem fala e quem ouve, é uma forma de exercer empatia. É importante lembrar que uma empatia “equilibrada” se caracteriza pela distância certa do outro, ou seja, nem perto, nem longe demais; nem indiferente, nem invasivo. É preciso esperar por um pedido de ajuda, mesmo que seja muito discreto. E, ao fim das contas, uma ajuda solicitada pode até ser recusada, mas aceitar o fato com naturalidade, sem raiva, faz parte.

Parece difícil? Mas há grandes recompensas: em todas as frentes da nossa vida, a empatia nos favorece, especialmente ao nos oferecer maior diversidade de relações. Quando nos tornamos capazes de adentrar diferentes grupos, sem criticar nem necessariamente virar um membro deles, enriquecemos enormemente nossa visão de mundo e crescemos como indivíduos. Além disso, temos a chance de tornar nossos relacionamentos mais autênticos e harmoniosos. Dos mais íntimos aos mais ocasionais, provavelmente saberemos exatamente o tipo de troca que será possível ter com cada um. Não é uma boa notícia?

 

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