De parcerias e rupturas

Comportamento
31.jul.2018

Ao longo de nossa vida, há alguns momentos em que deixamos de ser simplesmente nós para sermos “de” alguém mais, no caso de um casamento, ou “de” uma corporação ou “de” uma instituição, em nossa profissão. Sem perceber, por exemplo, quando começamos num novo emprego e passamos a pertencer a um determinado grupo profissional, nosso nome vira “Fulano de tal, da empresa tal”. O segundo “sobrenome”, o corporativo,  logo passa a fazer parte de nossa identidade e viramos um personagem, o dono daquele nome. É por meio deste personagem que nos relacionaremos e nos apresentaremos ao mundo,  enquanto o emprego ou o casamento existirem.

E o que acontece quando, após uns tantos anos, deixamos a instituição que nos identificava no meio social? Algo que não é fácil: ao deixarmos o personagem para trás, nos deparamos de novo com nossa verdadeira identidade. A estranheza de encarar o mundo no papel de si mesmo, de lugar nenhum – ou “de” ninguém – é, de fato, um novo “desafio”, como diz o jargão corporativo em seus comunicados internos de desligamento. A sensação não é nada boa, por mais que a pessoa tenha desejado e lutado por aquela separação. Em geral, não estamos preparados para o processo de luto, com todas as suas fases. E, como sempre, somente ao final do luto é que haverá um novo caminho a ser seguido. E, curiosamente, todo mundo ouve falar das dores das separações amorosas, mas pouco se fala das dores ocasionadas pelas rupturas profissionais.

De novo no mundo, quem é você, para onde vai? Como, em geral, o que se planeja não é o que costuma ocorrer, é preciso estar, mais do que nunca, aberto às traquinagens da vida, que só com o tempo tornará mais claras as verdadeiras opções de alguém. Num primeiro momento pode acontecer de a pessoa, livre, achar que pode desempenhar quase qualquer novo papel, querendo agarrar tudo o que vê como oportunidade passar diante de si. Só com o tempo, porém, é que saberá o que realmente tem a ver com o seu novo momento. Por eliminação e fazendo suas experiências, acaba chegando lá, no seu novo ambiente, na nova temporada de sua existência.

Quando se sai da rede de proteção de uma instituição, uma corporação ou um casamento, tem-se, por um lado, as perdas e o vazio da ausência, seguidos por um período de luto. Por outro lado, há a chance de se ganhar muito, mas muito mesmo, em diferentes dimensões. A saber, com segurança: mobilidade, independência e, fundamental, o reencontro com seus próprios valores e vontades. E muito mais, com o tempo, e a conferir…

Artigos relacionados

17 fev

Das pesquisas e dos preconceitos

Fala-se muito, hoje em dia, de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Muitos ainda discutem se isto “pode” ou “não pode” acontecer… Um grupo de cientistas da Universidade de San Diego, Califórnia, já está muito à frente desse debate. Há 12 anos, iniciaram um estudo comparativo entre casais heterossexuais e homossexuais, patrocinado pelo NIH (National […]

  • 1232
Comportamento
31 mar

A confiança nos encontros da vida

Quando pensamos em autoconfiança, supomos que, com ela, somos capazes de agir, tomar atitudes. O que não pensamos é que a confiança em si é algo que se adquire, não se nasce com ela. Como descobrir nossos recursos e talentos, sem colocá-los à prova? Sempre será necessária uma primeira vez, bem como alguns primeiros passos […]

  • 866
Comportamento
19 jun

Isso é coisa da sua cabeça… Gaslighting.

“Isso é coisa da sua cabeça!!”, “Você está imaginando isso!!”, “Você é louca!!”… Quem dentre nós, mulheres, já ouviu essas afirmações em momentos em que só estavam falando de coisas que estavam de fato acontecendo? Atualmente existe um nome pra esse tipo de abuso: Gaslighting, devidamente registrado no dicionário Cambridge da língua inglesa. Alguém já […]

  • 1548
Comportamento