Comunicação não violenta

Comportamento
04.set.2021

Cada vez mais se ouve falar em comunicação não violenta, não é? Você sabe do que se trata? Segundo Marshall Rosenberg (psicólogo americano criador do conceito) poderíamos dizer, de forma extremamente resumida, que a comunicação não violenta é a capacidade de dizer o que se pensa com tranquilidade e, ao mesmo tempo, escutar o que o outro tem a dizer com atenção.

Ou seja, adaptando o conceito à nossa realidade atual, discordar é uma coisa, impedir que o outro expresse seus pensamentos é completamente diferente. Como fazer, então, para desconstruir ideias pré-concebidas na intenção de chegar a um diálogo construtivo com visões e opiniões diferentes das nossas? Nas redes sociais, a praça pública contemporânea, o que acontece é o oposto disso, em grau máximo. Não se deseja ouvir o que o outro fala, só se espera alguém terminar de expor o que pensa para imediatamente atacar. Serão estas as novas regras da comunicação? Intolerância ou nada?

Me pergunto se perdemos o gosto pela prosa. A prática da conversa no grupo familiar, aquela conversa descomplicada, onde cada um emitia suas opiniões com tranquilidade, abrindo mão da necessidade de fazer o outro concordar… Eu me lembro de conversar em torno de uma mesa por horas a fio, com trocas de ideias diferentes, sem nenhuma briga. O respeito entre as pessoas, o afeto, o prazer do bom debate, tudo estava lá e o resultado era uma agradável conversa, sem a obsessão de convencer o outro. Não havia alfinetadas com agressões implícitas nem palavras com agressões explícitas. Era a prática do diálogo dentro das casas. Uns ouviam enquanto outro falava.

Será que o gosto pela conversa normal, a prosa, vai ser resgatado em algum momento ou vamos nos tornar mais e mais bárbaros? Eu me aflijo quando penso tanto na importância como na urgência de transformarmos nossa forma de nos comunicarmos, em todos os setores da vida em sociedade. Acredito ser fundamental iniciar já um novo ciclo e assumir o compromisso de garantir uma comunicação mais amorosa. Praticar e ensinar a ouvir, ouvir, ouvir… praticar a escuta ativa com o outro, pelo outro. A missão é nossa, vamos abraçá-la?

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