A felicidade, simples e espontânea

Comportamento
12.jun.2018

Desfrutar da vida, oferecendo-nos  momentos só nossos, pode ser uma coisa simples para alguns e difícil de alcançar para outros. Esta é, entretanto, uma ideia de felicidade bem antiga: foi Epícuro, filósofo que viveu no século lV a.c., quem primeiro afirmou que o verdadeiro prazer do ser humano não estaria na satisfação do corpo, mas na libertação do sofrimento, da dor e do medo. Para se chegar ao estado de extinção da dor, dizia o filósofo, seria preciso trocar a procura desenfreada por bens e prazeres corporais, que seriam passageiros, pela busca da serenidade e do equilíbrio. O pensamento chega a surpreender pela atualidade ao nos depararmos, nos dias de hoje, com a inquietação que nos causam o individualismo e a sociedade baseada no consumo.

Para os indivíduos que prestam atenção às suas necessidades e procuram atendê-las de forma apropriada, ou seja, com moderação e sem causar danos aos demais, o prazer pode ser algo simples e natural. Para estes, os instantes de felicidade têm lugar em alguns dos chamados “momentos comuns” de sua própria vida. Momentos que acontecem sem serem buscados, sem planejamento e que ocorrem somente por conta do acaso. E como isso se dá?

O encontro solitário com a natureza é o exemplo mais próximo e frequente que me surge ao falar disso. Há diversos relatos da riqueza contida na experiência de estar em contato sozinho com a natureza. Outro exemplo, acessível a qualquer um de nós, é o amor que vem com a alegria da intimidade. As duas circunstâncias sã oportunidades propícias ao surgimento da sensação de felicidade a nos invadir, cada vez com mais frequência. O prazer que simplesmente “acontece” irrompe na vida de alguém inesperadamente e, quanto mais a pessoa se abre a essa experiência, prestando atenção nela, mais vezes isso lhe acontecerá. Não é uma ótima notícia?

A experiência do prazer com a existência, de forma simples e espontânea, é um prêmio ou até uma bênção: quem experimenta este tipo de felicidade tem, com certeza, uma relação harmoniosa com a própria existência. Provavelmente trata-se de alguém que não se esquece nunca que viver (ou estar vivo) é uma sorte. E saborear o momento presente, uma sabedoria!

Tudo isso faz parte deste tipo de felicidade que escolhemos para falar hoje, aquela que costumam chamar de simples e espontânea. A certa altura da vida, torna-se possível a alguém já saber que há grande chance de viver um desses momentos se for a determinados lugares ou encontrar-se com certas pessoas queridas. E assim, esses momentos podem ser também facilitados com o cultivo do que possam ser boas vivências.

E vale lembrar que ajuda muito, ou mesmo vem antes de tudo isso, a capacidade que a pessoa tem de extrair da vida o que há de melhor, sempre! Algo assim como um estilo de ser, uma forma de estar no mundo.

 

Artigos relacionados

26 jun

Sobre a vulnerabilidade

Na delicada questão da formação de vínculos nas relações interpessoais, a sensação de vulnerabilidade está sempre presente, só que de forma mais intensa em uns do que em outros. Vulnerabilidade é o que sentimos quando alguém parece enxergar em nós algo que queríamos esconder, como nossas inseguranças e medos. O sentimento de vulnerabilidade é alimentado […]

  • 2329
Comportamento
5 jun

Maturidade, humor e recordações

Quando é que as outras gerações vão entender os mais velhos? Por que temos que enxergar melhor os que vieram antes de nós apenas quando vai chegando a nossa vez? Cruzamos o umbral da maturidade, e logo adquirimos outro olhar sobre o mundo. Continuamos a percorre-lo da mesma forma, só que recordações se impõem. E […]

  • 1770
Comportamento
22 jan

A mente que passeia

Sou uma eterna fã do comportamento brincalhão dos adolescentes, da maneira divertida com que se relacionam entre si em seus grupos, sempre rindo uns dos outros e, ao fim das contas, de si mesmos. Hoje, num passeio mental, me lembro dos meus próprios grupos da juventude, quando o riso era mais fácil e a risada […]

  • 2633
Comportamento