Maquiavel no dia-a-dia

Mulher
27.fev.2018

Por que será que a maioria das mulheres precisa do elogio ou aprovação do outro para se assegurar do seu próprio valor? Ter certeza de nossa intransferível legitimidade (pois cada um de nós é único) afeta a condução de todas as nossas relações, sejam familiares, profissionais, sociais ou amorosas.

No campo profissional, por exemplo. Uma mulher pode não se sentir à altura do cargo que conquistou pelo simples fato de ter um chefe que se recusa a lhe dar algum retorno. De tanto desconforto, pode terminar dizendo isso a seus pares, de uma forma ou de outra. Diz através de atitudes e o faz porque é nisso que acredita. E pior, no fim das contas, convence os outros.

Homens costumam ter comportamento oposto. Valorizam-se ao máximo, criam um marketing pessoal, não hesitam em creditar a si próprios resultados de um colega mais desavisado. E usam de uma estratégia que muitas mulheres desconhecem: agem em silêncio, articulam, fazem alianças… Afinal, sempre foi assim o mundo masculino, o mundo da estratégia, para o bem ou para o mal.

Sem se dar conta de que no ambiente corporativo  as regras são bem outras (Maquiavel certamente escreveu O Príncipe dentro de alguma corporação!), as mulheres trazem para os embates com seus pares uma franqueza desconcertante,  fora de cogitação ali. Como reagem os pares/chefes? Mal, muito mal… Muitos têm a certeza de que ali está alguém disposto a desafiar seu poder. Uma transgressora, que merece ser punida por sua ousadia.

É comum mulheres levarem um não como algo pessoal e irrevogável, sem desconfiar que os nãos fazem parte da trajetória dos que trazem novas ideias. Há pouco tempo, ouvi de um empreendedor que, para se acostumar aos nãos que ouvia sempre que expunha a seu chefe algo inovador, criou o conceito de que seriam necessários cinco nãos, ao menos, para que um novo projeto fosse aceito. Passou então a colecionar nãos, ao receber o primeiro, dizia, oba, já tenho um, estou mais perto de realizar o que proponho!

Parece piada, mas tem seu fundo de verdade. Mas podemos imaginar uma mulher dizendo o mesmo? Só se tiver refletido muito durante seu percurso, para conseguir isolar a sensação de rejeição que a negativa lhe despertava. Deixar o verdadeiro eu de fora sempre e adotar uma persona adequada às regras corporativas parece ser uma arte ainda não dominada por algumas de nós. Mas nada nos impede de prestar mais atenção e aprender as regras do jogo, certo?

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