O lado dos homens na reprodução assistida

Comportamento
21.nov.2017

A maioria de nós já esteve perto ou ouviu histórias de alguém que se submeteu a um processo de reprodução assistida: conhecemos a perspectiva da mulher, que é, afinal, quem se submete aos diversos procedimentos.

Sabemos que para ela é um período difícil e doloroso e nos acostumamos a perceber o homem, neste caso, como mero coadjuvante. Caberia a ele o papel de acompanhar e apoiar sua mulher, além de doar seus espermatozoides.

Mas, seria mesmo só isso? A visão é um tanto reducionista, é o que nos contam estudos que colheram depoimentos de casais que se submetem a este tipo de protocolo.

Este caminho em direção à fertilização demanda, aos dois, disponibilidade fisiológica, corporal, psicológica e logística. Homens com maiores condições de reflexão e conscientização, ou que estejam em terapia, costumam se questionar sobre o desejo da paternidade a qualquer custo, seu papel como homem doador e sua figura praticamente obscurecida pela da mulher, para quem todas as atenções se voltam. E aquela grande maioria masculina, que não chega a encontrar palavras para entender o que sente?

Se alguém perguntar como um homem se sente nessa condição, encontrará alguns que conseguem admitir que são afetados emocionalmente pelo processo e que não conversam sobre o assunto com suas companheiras. Culturalmente, os  homens não tem o hábito de refletir ou de pedir ajuda, e nem mesmo de compartilhar vivências íntimas, como as que surgem inevitavelmente durante um processo de fertilização.

Os anos que muitas vezes são investidos no processo até que a fertilização bem sucedida aconteça, demandam aos participantes muita energia interna, e tudo indica que seria bom para os homens se ousassem reivindicar um lugar num contexto onde isso não foi previsto.

Afirma uma das pesquisas que, se o casal  conseguir afastar o papel de doador do homem e deixá-lo tomar um lugar só seu no processo, com direito à chance de elaborar seus conflitos, este poderá ser um período de grande  aprendizado individual. E, se ambos resistirem a todas as dificuldades, deverão chegar ao final do processo com seus vínculos afetivos mais consolidados e, provavelmente, mais unidos do que nunca.

Eu acredito. E você?

Artigos relacionados

10 jan

Sobre a intensidade da vida

Todos nós sonhamos com a intensidade em nossas vidas, idealizando o que é intenso como “o melhor”. Só que, parando rapidamente para pensar, vamos nos dar conta que não há intensidade a não ser pelo contraste. Tive um professor que gostava de repetir que ninguém sobreviveria a um concerto, se a música tivesse somente momentos […]

  • 2120
Comportamento
13 mar

É possível ser feliz nos tempos atuais?

Quando se trata de estudar melhor as características de nossa atual sociedade, deparamo-nos com alguns respeitáveis autores que muito tem se debruçado sobre esta temática. São incontáveis os livros, ensaios e teses acadêmicas que buscam entender o comportamento da sociedade contemporânea. Bauman, sociólogo polonês, afirma que, a partir de meados do século XX, nossa sociedade […]

  • 6971
Comportamento
24 jul

Bela velhice!

“Envelhecer bem”, ou seja, adaptar-se àquela que será a derradeira fase na vida é um desafio para ambos os gêneros. Entretanto, em nossa sociedade contemporânea, as diferenças entre homens ou mulheres atravessando esse período se fazem bem marcantes, com elementos que facilitam a aceitação do processo por um grupo e que não se apresentam para […]

  • 2254
Comportamento